Sabe,estive pensando,o quanto a vida pode ser cruel com algumas pessoas,que precisam destruir seu corpo materia,e também seu espirito para poder se sentir bem. Hoje no meu serviço bateu a porta uma moça,muito simpatica até,mas bem mal vestida,atendi o HDL,como de sempre:
-Pois não
-Senhor,o senhor poderia me "arrumar",uma grana,qualquer quantia,qualquer uma que fosse,sabe moço,eu não tenho porque mentir,queria dar uns "tiros" e não tô mais aguentando de vontade,me arruma ai vai "Jão",o que tiver...
Incomodado,com aquela situação mas já acostumado (pra quem não sabe,fui voluntário na DCNOVI,uma chácara de recuperação para dependentes químicos daqui) fui atende-lâ.
Para meu espanto e surpresa,quem era? Stella Marchory Valverdhe Canonys,foi minha vizinha quando morei na casa do Jardins em São Paulo antes de minha familia falir. Eu e Stella temos a mesma idade,brincavamos na parque do Ibirapuera,Villa Lobos...Iamos com frequencia a Device,um restaurante caro especialista em comida apenas para criança,me lembro de Sella escorregando no Playground do Device,aquilo veio a minha mente,de uma maneira tão cruel... Como pode meu Deus,Stella ainda é rica vejo os pais dela direto,na TV,em uma entrevista aqui e outra ali...Acho que expulsaram ela de casa que outro motivo teria,uma amiga de tantos anos,uma amizade tão verdadeira que tinhamos eu ela e o Danrley... Meu Deus porque eu amava de coração a Stella e hoje vi e tive a certeza que ainda a amo,mas essa amizade de infância,tão bonita,consistente,forte e sublime, que as drogas fizeram o favor de destruir... Engraçado né as drogas que a Stella usa são sintéticas,que acabaram com uma amizade verdadeira...Isn't ironic?
Stella,nunca mais olhou em meus olhos depois que mudamos de São Paulo,achava que eu era fraco e não sabia aproveitar a vida,ela dizia que eu precisava ser menos careta e menos chato,e parar de pegar no pé dela porque ela só dava uns "tirinhos" de vez em quando só pra relaxar esqueçer os problemas e curtir a vida. Hoje eu vejo,paro e penso,QUAL VIDA???!!!???!!!
Hoje quando ela veio bater a porta de meu serviço não esperava me encontrar,ela não teve coragem de olhar nos meus olhos,abaixou a cabeça quando me viu,nem quis convesar,porque eu estava ali pra isso,e ela não teve coragem de me enfrentar,de olhar nos meus olhos e dizer nem que fosse"Foda-se",mas não... Nem isso Stella foi capaz de fazer...Ai meu Deus que aperto no coração,que angústia,e o pior como iria dizer aquilo pro Danrley ainda não tive coragem,não tive força,se alguém tem um coração bondoso que irradia luz me diga o que fazer por favor...
Quando abri o portão,da Central em que trabalho,e me deparei com ela,não disse nada,ela imediatamente abaixou a cabeça,eu começei a chorar e ela também,ficamos assim durante uns quinze minutos,ela me reconheceu e apesar das drogas ter sugado toda e sua energia boa,eu consegui reconhecê-la,estava muito diferente... Magra demais, alma e corpo sujo,roupas e moral rasgada,cabelo e vida bagunçados. Ela veio até mim,me deu um forte abraço,e num singelo,e rouco,mas senti que sincero e forte sussuro,me disse:
-Desculpa Renato!- Dizendo isso,saiu correndo,sem rumo nem destino,tentei ir atrás,mas foi envão,perdi Stella pela segunda vez,que incompetente eu sou,nem pra amigo eu sirvo,ela preferiu as drogas do que a mim,as drogas proporcionam,momentos que eu não fui capaz de proporcionar,tudo o que eu fazia,as drogas vinham e melhorava a sensação,melhoravam,a ambiente a zueira.
Ver Stella na sargeta daquele jeito acabou comigo,por três vezes desejei morrer,e eu sem poder fazer nada,a vi ir embora pela segunda vez da minha vida.
Chega por hoje,não tenho condições psicológicas para continuar a escrever nada... Apenas para chegar em casa e chorar,por ser tão incompetente assim...
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